o ímpeto do Grupo do Trecho por gerar fissuras e romper limites entre a arte e o real, de com isso questionar o normal para vislumbrar outros possíveis, nossa vontade de fazer dialogar mundos paralelos que coexistem, mas não convivem na cidade, nossa própria trajetória caótica pela marginalidade, tudo isso nos conduziu a um lugar que sintetiza perfeitamente o absurdo das questões que nos atravessam: a Prisão. Mais especificamente a Penitenciária Feminina do Butantã, no Km 19,5 da Rodovia Raposo Tavares.
ali dentro estão enclausuradas centenas de mulheres, apartadas da cidade, de suas famílias, pausadas em suas vidas, silenciadas. Há anos. Projeto Ausências trata disso: da vontade de instaurar, ainda que brevemente, um espaço de liberdade dentro da prisão, de residir junto àquelas mulheres, estimulando-as a criar e criando com elas, de nos apropriar de suas questões para, do lado de fora, falar artisticamente sobre isso. Falar da ausência delas no mundo, e da ausência do mundo dentro da vida delas.
mas o fato é que na prisão não há espaço para liberdade...